{"id":5601,"date":"2017-05-25T13:55:57","date_gmt":"2017-05-25T16:55:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/?post_type=glossary&#038;p=5601"},"modified":"2022-06-06T16:54:57","modified_gmt":"2022-06-06T19:54:57","slug":"dragao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/dragao\/","title":{"rendered":"Drag\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span id=\"6ZcDqKtxBwCllzlVRGo_N\" class=\"abt-citation noselect mceNonEditable\" data-reflist=\"[&quot;134064371&quot;]\" data-footnote=\"undefined\"><sup>1<\/sup><\/span>Artigo | Os drag\u00f5es do despertar<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5607 size-medium alignleft\" src=\"http:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/os-dragoes-do-despertar-drukpa-brasil-1024x683-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/os-dragoes-do-despertar-drukpa-brasil-1024x683-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/os-dragoes-do-despertar-drukpa-brasil-1024x683-150x100.jpg 150w, https:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/os-dragoes-do-despertar-drukpa-brasil-1024x683-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cintamani.com.br\/loja\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/os-dragoes-do-despertar-drukpa-brasil-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>By<br \/>\nDrukpa Brasil<br \/>\nPublished on 9 de mar\u00e7o de 2016.<\/p>\n<p>\u201cOs Drag\u00f5es legend\u00e1rios s\u00e3o estranhamente semelhantes a criaturas reais que viveram no passado. Eles s\u00e3o muito parecidos com os grandes r\u00e9pteis ou dinossauros que habitaram a Terra muito antes do homem supostamente ter aparecido na Terra.\u201d (Knox, Wilson, \u2018Dragon\u2019, The World Book Encyclopedia, vol. 5, 1973, p. 265.)<\/p>\n<p>Encontramos a men\u00e7\u00e3o do animal mitol\u00f3gico drag\u00e3o tanto na literatura oriental quanto na literatura ocidental, em praticamente todas as culturas e tempos. Uma vez que o termo \u2018dinossauro\u2019 foi cunhado somente em 1842 por Richard Owen, surge a curiosidade: Como estes seres eram chamados antes de serem \u2018dinossauros\u2019 ?<\/p>\n<p>Em torno de 300 d.C., em Sichuan, na China, o chin\u00eas Chang Qu descobriu ossos de dinossauros abaixo da terra e os documentou como sendo uma \u201cdescoberta de ossos de drag\u00f5es\u201d. (Dong Zhiming (1992). Dinosaurian Faunas of China. China Ocean Press, Beijing.)<\/p>\n<p>Curiosamente, o termo atual para \u2018dinossauro\u2019 na l\u00edngua chinesa \u00e9 konglong, que significa \u2018terr\u00edvel drag\u00e3o\u2019 (BBC News. 2007-07-06) como tamb\u00e9m meilong, significando \u2018drag\u00e3o adormecido\u2019. (Xu and Norell, 2004.) De forma similar, Richard Owen ao cunhar o termo \u2018dinosauria\u2019 em 1842, o definiu como \u201cterr\u00edvel lagarto gigante\u201d.<\/p>\n<p>No Budismo Tibetano o drag\u00e3o \u00e9 tanto o ve\u00edculo do Dhyani Buddha Vairotchana, o Buddha da Sabedoria \u00faltima como tamb\u00e9m o ve\u00edculo de Vajradhara, o Buddha Primordial. \u00c9 tamb\u00e9m um dos emblemas de uma das linhagens do Budismo Tibetano provindas a partir do grande marra-siddha indiano Naropa e fundada pelo grande siddha tibetano Tsangpa Gyare Yeshe Dorje \u2013 a Linhagem Drukpa.<\/p>\n<p>O Drag\u00f5es na Linhagem Drukpa<\/p>\n<p>S.S. Gyalwang Drukpa, o l\u00edder e autoridade m\u00e1xima da Linhagem Drukpa, a d\u00e9cima segunda reencarna\u00e7\u00e3o do fundador da linhagem Tsangpa Gyare Yeshe Dorje, nos explica as origens e o significado espiritual dos Drag\u00f5es da seguinte forma:<\/p>\n<p>\u201cNo continente Asi\u00e1tico, acreditamos que o Drag\u00e3o seja um s\u00edmbolo de \u2018energia\u2019, de \u2018energia positiva\u2019. Cremos que seja um tipo de energia que se manifesta na forma de um drag\u00e3o. Acreditamos, ainda, que seja dotado do poder de criar e de se movimentar atrav\u00e9s de v\u00e1rios diferentes tipos de elementos da natureza. Seu campo de poder estende-se a fim de nutrir e potencializar as colheitas, \u00e1rvores, plantas e assim por diante. Em outras palavras, no ver\u00e3o, por exemplo, ele se manifesta na forma de trov\u00f5es, presenteando-nos com a chuva, com a \u00e1gua, proporcionando que as coisas tomem nascimento, cres\u00e7am e flores\u00e7am. Desta forma, em nossa tradi\u00e7\u00e3o espiritual, o drag\u00e3o simboliza energia. Na aus\u00eancia de energia, os seres e as coisas n\u00e3o existiriam, as pessoas n\u00e3o sobreviveriam. Portanto, para a nossa linhagem espiritual, o drag\u00e3o \u00e9 TUDO e a partir dele TUDO se manifesta.\u201d<\/p>\n<p>\u201cTsangpa Gyare, o fundador da tradi\u00e7\u00e3o espiritual dos Drag\u00f5es, a Linhagem Drukpa, cuja exist\u00eancia foi prevista anteriormente por Dakinis (seres espirituais altamente realizados de g\u00eanero feminino), enquanto procurava uma regi\u00e3o adequada para a constru\u00e7\u00e3o de um local apropriado para difundir os ensinamentos de sua linhagem sagrada, encontrou-se com nove drag\u00f5es deitados em uma determinada regi\u00e3o no Tibete. Diante de seus olhos, tais auspiciosas criaturas levantaram v\u00f4o ao c\u00e9u seguido dos rugidos estrondorosos de trov\u00f5es que perduraram por um longo tempo.<\/p>\n<p>A partir desta vis\u00e3o, naquele momento e naquele lugar sagrados, tomando este evento como de grande e profundo significado, Tsangpa Gyare decidiu construir seu mosteiro. Desta forma, o primeiro mosteiro da Linhagem Drukpa \u2013 NamDruk Sewa Jangchub Ling (A Morada da Ilumina\u00e7\u00e3o dos Drag\u00f5es Celestes), foi constru\u00eddo, localizado n\u00e3o muito distante de Lhasa, a capital do Tibete. Acredito que a primeira associa\u00e7\u00e3o do drag\u00e3o com a nossa linhagem prov\u00e9m deste not\u00e1vel incidente. A partir disto, tornou-se natural para os seguidores desta linhagem, como tamb\u00e9m seus detentores e a pr\u00f3pria linhagem em si, serem chamados de \u2018Drukpa\u2019 ou \u2018Druk\u2019, que, em tibetano, significa drag\u00e3o. O drag\u00e3o \u00e9 supostamente uma criatura celestial muito auspiciosa e importante em nossa cultura asi\u00e1tica. At\u00e9 mesmo o pa\u00eds do But\u00e3o veio a ser chamado de \u2018Druk\u2019 ou \u2018Druk Yul\u2019, ou seja, a Terra dos Drag\u00f5es, devido \u00e0 influ\u00eancia da Linhagem Drukpa neste pa\u00eds, desde tempos remotos at\u00e9 os dias de hoje. Consequentemente, o pr\u00f3prio povo do But\u00e3o refere-se a si pr\u00f3prio como \u2018Drukpa\u2019, significando o \u201cpovo da terra dos drag\u00f5es\u201d, nos conta S.S. Gyalwang Drukpa.<\/p>\n<p>A Natureza dos Drag\u00f5es na Tradi\u00e7\u00e3o Asi\u00e1tica<\/p>\n<p>Encontramos na tradi\u00e7\u00e3o budista um prot\u00f3tipo de drag\u00e3o benevolente \u2013 uma corporifica\u00e7\u00e3o de qualidades divinas tais como energia, sabedoria, poder, prote\u00e7\u00e3o, provid\u00eancia e fertilidade.<\/p>\n<p>Sua forma exterior combina caracter\u00edsticas de um peixe (representado nos bigodes de carpa e no corpo escamoso), r\u00e9ptil (representado em seu corpo de serpente) e de um p\u00e1ssaro (representado nas garras de \u00e1guia), dotando-o da habilidade de movimentar-se pelas \u00e1guas, andar pela terra e voar pelos c\u00e9us.<\/p>\n<p>Nas \u00e1guas, ele entra em contato com um mundo desconhecido dos humanos e torna-se uma fonte de fertilidade, adapta\u00e7\u00e3o e flexibilidade. Ao movimentar-se na terra, torna-se um conhecedor e detentor de grande riqueza, abund\u00e2ncia, estabilidade e prosperidade. Nos c\u00e9us, de onde percebe tudo e todos em grande profundidade e amplid\u00e3o, torna-se uma fonte de sabedoria, equanimidade, liberdade e transcend\u00eancia. Sua corcunda configura-se tal como uma cordilheira de montanhas representando magnifici\u00eancia, for\u00e7a e poder. Em sua m\u00e3o ele segura a \u2018J\u00f3ia da Auspiciosidade\u2019 significando o cora\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o e a mente de sabedoria que tudo realiza.<\/p>\n<p>Seu estrondoroso rugido tal como o de um forte trov\u00e3o, desperta-nos do sono da ignor\u00e2ncia. O fogo, que expele por sua boca, expressa a bondade amorosa e sabedoria que queimam as causas de toda insatisfatoriedade, mal-estar e sofrimento \u2013 a ilus\u00e3o de uma realidade inerente, permanente e independente nas coisas, pessoas e no mundo \u2013 manifesta-se como uma energia protetora, uma ira s\u00e1bia, que repele maus esp\u00edritos e influ\u00eancias negativas al\u00e9m de proteger aqueles dotados de virtude e de um cora\u00e7\u00e3o bondoso.<\/p>\n<p>Portanto, aqueles nascidos no ano do drag\u00e3o (um dos 12 ciclos de animais dos calend\u00e1rios chin\u00eas e tibetano) s\u00e3o destinados a desfrutarem de sa\u00fade, riqueza e uma vida longa.<\/p>\n<p>Origens na tradi\u00e7\u00e3o Asi\u00e1tica<\/p>\n<p>O Drag\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o Indiana<\/p>\n<p>Na literatura Indiana conta-se que Indra, o rei dos deuses indianos (skt. deva), matou Vritra, o drag\u00e3o da \u00e1gua, golpeando-o com seu bast\u00e3o espiritual. No grande \u00e9pico indiano Mahabharata, osn\u0101gas ou drag\u00f5es s\u00e3o descritos como possuindo tra\u00e7os de cobras como tamb\u00e9m de humanos.<\/p>\n<p>Posteriormente, na literatura budista, encontramos men\u00e7\u00f5es sobre drag\u00f5es em alguns sutras, principalmente sobre os \u2018reis drag\u00f5es\u2019. O termo drag\u00e3o encontrado nestes sutras geralmente foi uma tradu\u00e7\u00e3o do s\u00e2nscrito n\u0101ga, onde o seu rei era considerado um grande n\u0101ga ou um drag\u00e3o.<\/p>\n<p>No Sutra das Dez Formas Positivas de A\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201cAssim eu ouvi. Uma vez, o Buda estava no Pal\u00e1cio do Rei Drag\u00e3o do Oceano, junto com uma assembl\u00e9ia de oito mil destacados monges e trinta e dois mil Bodhisattvas Mahasattvas. Dirigindo-se ao Rei Drag\u00e3o, o Buda disse: Devido a que todos os seres t\u00eam diferentes estados de consci\u00eancia e pensamentos, esses tamb\u00e9m realizam diferentes a\u00e7\u00f5es e como consequ\u00eancia h\u00e1 o constante retorno nos diferentes caminhos da exist\u00eancia. Oh, Rei Drag\u00e3o! Por isso tu v\u00eas a variedade de formas e apar\u00eancias nesta assembleia e no Grande Oceano, embora n\u00e3o sejam diferentes umas das outras\u2026\u201d (Tripitaka Chin\u00eas #600)<\/p>\n<p>No Sutra do Grande Drag\u00e3o Krkala:<\/p>\n<p>\u201cAssim eu ouvi. Certa vez, o Buddha estava na grande cidade Rajagriha. Naquela ocasi\u00e3o, o Bodhisatva Ratnaketu Dharani indagou o Buddha: Por qu\u00ea o grande drag\u00e3o Krkala engole uma espada afiada e envolve suas pernas ao redor de uma espada?\u2026\u201d (Taisho Tripitaka 1206)<\/p>\n<p>No sutra do L\u00f3tus, encontramos uma assembl\u00e9ia de drag\u00f5es presenciando os ensinamentos do Budha na seguinte passagem:<\/p>\n<p>\u201cAssim eu ouvi: Certa \u00e9poca, estava Buda em Rajagriha, no monte Gridhrakuta. A acompanh\u00e1-lo estava uma multid\u00e3o de monges em n\u00famero de doze mil\u2026A\u00ed estavam oito reis drag\u00f5es, o rei drag\u00e3o Nanda, o rei drag\u00e3o Upananda, o rei drag\u00e3o Sagara, o rei drag\u00e3o Vasuki, o rei drag\u00e3o Takshaka, o rei drag\u00e3o Anavatapta, o drag\u00e3o Manasvin, o rei drag\u00e3o Uptalaka, cada um com v\u00e1rias centenas de milhares de seguidores\u2026\u201d (L\u00f3tus Sutra, cap. 1: Introdu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>\u201c\u2026Ent\u00e3o Manjushri, sentando sobre um l\u00f3tus de mil p\u00e9talas, t\u00e3o imenso quanto uma roda de carro\u00e7a, acompanhado dos Bodhisattvas que o seguiam, tamb\u00e9m sentados em l\u00f3tus de j\u00f3ias, espontaneamente emergiu do Grande Oceano do Pal\u00e1cio do Drag\u00e3o Sagara\u2026\u201d(L\u00f3tus Sutra, cap. 12: Devadatta)<\/p>\n<p>\u201c\u2026Sabedoria Acumulada indagou a Manjushri: \u201cEste Sutra \u00e9 extremamente profundo e sutil. Em meio a todos os outros Sutras, ele \u00e9 uma j\u00f3ia raramente encontrada no mundo. Existe algum ser vivente que possa, atrav\u00e9s da dilig\u00eancia e vigor, cultivar este Sutra e rapidamente atingir o Estado de Buda\u201d? Manjushri disse: \u201cExiste uma filha do Rei Drag\u00e3o que tem apenas oito anos de idade. Ela possui as faculdades, condutas e Karmas dos seres viventes e obteve Dharanis. Ela est\u00e1 apta a receber e ostentar reposit\u00f3rios inteiros de segredos extremamente profundos pregados pelo Buda\u2026\u201d (L\u00f3tus Sutra, cap. 12: Devadatta)<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, um dos principais disc\u00edpulos do Buddha recuperou sutras que haviam sido escondidos no pal\u00e1cio do rei dos Oceanos, no fundo do mar. Conta-se que para obter os textos de volta ele domou o drag\u00e3o n\u0101ga guardi\u00e3o do pal\u00e1cio, e retornou os sutras a terra. Devido a este evento, o monge passou a ser chamado de o grande Arhat Nantimitolo.<\/p>\n<p>Outro entre os maiores disc\u00edpulos do Buddha, o Arhat Panthaka, dotado de diversos poderes espirituais ou siddhis, foi convocado pelo Buddha para uma expedi\u00e7\u00e3o que teria como objetivo subjugar e converter o terr\u00edvel drag\u00e3o rei Apulala. Devido a este evento, o Arhat Panthaka \u00e9 frequentemente retratado nas imagens budistas com um drag\u00e3o n\u0101ga dentro de sua tigela de mendic\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Nos registros hist\u00f3ricos de dois renomados monges budistas e peregrinos chineses, Ven. Fa Hsien (394-414 CE) e 200 anos depois, Ven. Hsuan Chuang, peregrinaram a Sankashya, um dos oito lugares mais sagrados do budismo na \u00cdndia, que se refere a passagens da vida do Buddha Shakyamuni. Conta-se que, neste local, Buddha descendeu do reino celestial Tushita, onde ensinava sua m\u00e3e e aos deuses que l\u00e1 viviam, considerado a terra onde todos os Buddhas do passado e do futuro desempenharam o mesmo extraordin\u00e1rio feito.<\/p>\n<p>L\u00e1, nativos da regi\u00e3o, contaram a ambos os peregrinos que ali, um drag\u00e3o de asas brancas, que habitava pr\u00f3ximo ao mosteiro, protegia em torno de 1.000 monges e monjas. Este drag\u00e3o defendia e atendia as necessidades do mosteiro e de toda a regi\u00e3o que o circundava. Mais especificamente, os registros de viagem do monge chin\u00eas Fa Hsien claramente apontavam a caracter\u00edstica de uma abundante natureza e produtividade nesta regi\u00e3o onde tal drag\u00e3o residia. Apontavam, tamb\u00e9m, grande prosperidade e alegria entre a populac\u00e3o que ali vivia.<\/p>\n<p>No budismo t\u00e2ntrico indiano, o vajrayana ou mantrayana secreto, o drag\u00e3o \u00e9 o ve\u00edculo de Vairotchana, um dos cinco Dhyani Buddhas, considerado como o Buddha de cor branca da dire\u00e7\u00e3o leste ou central como tamb\u00e9m o ve\u00edculo de Vajradhara, uma representa\u00e7\u00e3o do Buddha Primordial.<\/p>\n<p>O Drag\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o chinesa<\/p>\n<p>Como visto anteriormente, na literatura Indiana encontramos a imagem do drag\u00e3o atrav\u00e9s do termo s\u00e2nscrito \u201cvritra\u201d. Anterior \u00e0 chegada do budismo na China no s\u00e9culo III, os drag\u00f5es j\u00e1 estavam presentes na cultura chinesa e eram chamados de \u201clong\u201d. Curiosamente, na medida em que o budismo foi chegando \u00e0 China, encontramos a tradu\u00e7\u00e3o chinesa long ou drag\u00e3o, n\u00e3o como uma tradu\u00e7\u00e3o de seu equivalente s\u00e2nscrito \u201cvritra\u201d, mas da palavra \u201cn\u0101ga\u201d, ou seja, um tipo especial de cobra provindo de um antigo culto indiano, onde s\u00e3o considerados seres da natureza relacionados com o poder de fazer chover, com a fertilidade e prote\u00e7\u00e3o das \u00e1guas como tamb\u00e9m guardadores de tesouros.<\/p>\n<p>Na China, o culto para com os drag\u00f5es \u00e9 datado de mais de 7.000 anos, unindo, posteriormente, com a chegada do budismo, o significado dos n\u0101gas provindos da tradi\u00e7\u00e3o Indiana quando, ent\u00e3o, o drag\u00e3o foi tomado como o rei dos n\u0101gas. Nessa tradi\u00e7\u00e3o, simboliza a sabedoria divina revestida do poder indom\u00e1vel da natureza. Ou seja, a harmonia entre os atributos espirituais e naturais que formam todas as coisas. S\u00e3o tidos como criaturas celestiais , incrivelmente auspiciosos e que exercem o controle sobre as for\u00e7as da natureza.<\/p>\n<p>Uma das primeiras imagens do drag\u00e3o chin\u00eas aparece em um entalhe neol\u00edtico datado aproximadamente de 5.000 anos antes de Cristo. Disto, \u00e9 considerado uma das mais antigas representa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas da humanidade. A mais antiga descri\u00e7\u00e3o escrita do drag\u00e3o chin\u00eas encontra-se no I Ching, o \u201cLivro das Muta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>No I Ching ele aparece como o princ\u00edpio masculino yang, representando a transforma\u00e7\u00e3o, energia criativa e assim por diante. \u00c9 um s\u00edmbolo de uma for\u00e7a din\u00e2mica eletrizante que se manifeta atrav\u00e9s de rel\u00e2mpagos e trov\u00f5es. No inverno, esta energia toma retiro dentro da terra. No in\u00edcio do ver\u00e3o torna-se ativa novamente, surgindo no c\u00e9u como trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos. Como resultado, as for\u00e7as criativas do universo avivam-se novamente, nutrindo os v\u00e1rios elementos da natureza.<\/p>\n<p>O drag\u00e3o, segundo a mitologia chinesa antiga, foi um dos quatro animais sagrados convocados por Pan ku (criador do universo) para participar da cria\u00e7\u00e3o do mundo. Representa a energia do fogo que destr\u00f3i, permitindo o nascimento do novo \u2013 a transforma\u00e7\u00e3o. Para muitos \u00e9 o deus das chuvas, representando o potencial de fazer chover e do fluir das \u00e1guas. Acredita-se que os drag\u00f5es possam criar nuvens com sua respira\u00e7\u00e3o. Simboliza tamb\u00e9m a sabedoria e o imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia da vida (energia vital) representada pelo h\u00e1lito celestial dos drag\u00f5es \u00e9 chamada em chin\u00eas de sheng chi, que literalmente significa \u2018sopro c\u00f3smico\u2019. Ela \u00e9 a fonte de toda a energia que contribui para com a fertilidade e riqueza tal como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que proporcionam a esta\u00e7\u00e3o das chuvas, o calor do sol, brisas refrescantes e arom\u00e1ticas que, por sua vez, propiciam um solo f\u00e9rtil e as colheitas florescerem em grande diversidade e abund\u00e2ncia. Assim, torna-se uma representa\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia e natureza do universo.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que o drag\u00e3o \u00e9 mundialmente reconhecido como um s\u00edmbolo da cultura chinesa e de seu povo. Os chineses referem a si pr\u00f3prios como \u2018Lung-tik Chuan-ren\u2019, que significa os \u201cDescendentes do Drag\u00e3o.\u201d Sua tradi\u00e7\u00e3o acredita que, em algumas raras ocasi\u00f5es, os drag\u00f5es demonstram o poder de transformar si pr\u00f3prios em elegantes seres humanos, homens ou mulheres, podendo at\u00e9 mesmo, vir a casar-se com outras pessoas. Por exemplo, Yu Pang, um campon\u00eas que ascendeu ao mais elevado posto em seu pa\u00eds e governou a China como seu imperador, para que pudesse legitimar sua ascens\u00e3o nunca vista antes, foi o primeiro a clamar ter a descend\u00eancia familiar de um drag\u00e3o. Desde ent\u00e3o, o ep\u00edteto \u2018face-de-drag\u00e3o\u2019 passou a ser usado para referir-se ao imperador. No Jap\u00e3o, onde muitos dos costumes prov\u00eam ou se assimilam aos da cultura chinesa, o imperador japon\u00eas Hirohito (1940) alegou ser descendente da princesa \u2018J\u00f3ia Frutuosa\u2019, filha do \u2018Drag\u00e3o-rei dos Oceanos\u2019. Este \u00e9 o significado ra\u00edz por de tr\u00e1s do emblema ou bras\u00e3o encontrado em resid\u00eancias r\u00e9gias na China e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, temos a representa\u00e7\u00e3o da face de um drag\u00e3o como um dos principais s\u00edmbolos imperiais ainda que outros tipos de emblemas com drag\u00f5es tamb\u00e9m fossem usados por ministros e representantes dos emperadores chineses. Nota-se que somente o s\u00edmbolo de drag\u00f5es com cinco dedos representavam o imperador e seu imp\u00e9rio. Drag\u00f5es com quatro, eram s\u00edmbolos da nobreza imperial e oficiais de alto escal\u00e3o e os com tr\u00eas dedos eram usados para com pessoas de cargos menores e a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o chinesa os drag\u00f5es algumas vezes s\u00e3o categorizados como quatro ou nove tipos principais.<\/p>\n<p>Os quatro tipos principais do drag\u00e3o chin\u00eas:<br \/>\n1.t\u2019ien long \u2013 Drag\u00f5es Celestes, que exercem a fun\u00e7\u00e3o de dar suporte ao pal\u00e1cio celeste dos deuses e s\u00e3o considerados como os soberanos entre os drag\u00f5es.<br \/>\n2.Shen long \u2013 Drag\u00f5es Espirituais, os quais controlam as nuvens e fazem chover.<br \/>\n3.Ti long \u2013 Drag\u00f5es da Terra, que desempenham a fun\u00e7\u00e3o de controlar os rios e oceanos.<br \/>\n4.Fu ts\u2019ang long \u2013 Drag\u00f5es Guardi\u00f5es de Tesouros, os quais t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de proteger j\u00f3ias objetos preciosos.<\/p>\n<p>Os outros cinco restantes formando nove tipos principais:<br \/>\n1.Ying long \u2013 Drag\u00f5es Alados, associados com chuvas torrenciais e dil\u00favios.<br \/>\n2.Jia long \u2013 Drag\u00f5es escamosos, destitu\u00eddos de chifres e coberto de escamas, l\u00edder de todos os animais aqu\u00e1ticos.<br \/>\n3.Pan long \u2013 Drag\u00f5es Espiralados, que residem nos lagos e n\u00e3o ascenderam aos reinos celestiais.<br \/>\n4.Huang long \u2013 Drag\u00f5es amarelos, sem chifres conhecidos por sua sabedoria e por simbolizarem o imperador.<br \/>\n5.Long wang \u2013 Drag\u00f5es Reis, governantes dos quatro mares: do leste, do sul, do oeste, e do norte.<\/p>\n<p>O Drag\u00e3o na tradi\u00e7\u00e3o tibetana<\/p>\n<p>No Tibete, os drag\u00f5es foram chamados de \u2018druk\u2019 sendo considerados como a fonte daquilo que conhecemos em nossa l\u00edngua como \u2018trov\u00e3o\u2019. Trov\u00e3o foi chamado pelos tibetanos de \u2018druk dra\u2019, que literalmente significa o \u2018som do trov\u00e3o, considerado por eles como sendo o pr\u00f3prio \u2018rugido dos drag\u00f5es\u2019(druk k\u00ea em tibetano). Tal como o trov\u00e3o, a mente desperta do drag\u00e3o nos acorda, explodindo a bolha da mente conceitual, libertando-nos de toda inseguran\u00e7a, medo, d\u00favida e expectativas.<\/p>\n<p>O Drag\u00e3o simboliza os grandes e s\u00e1bios imperadores como tamb\u00e9m os poderosos e inabal\u00e1veis mestres espirituais. Representa a sabedoria que v\u00ea a realidade l\u00fadica de todas as coisas e o poder e confian\u00e7a presentes naturalmente nesta realiza\u00e7\u00e3o. A mente do drag\u00e3o \u00e9 vasta, poderosa e h\u00e1bil devido a reconhecer a natureza vazia, por\u00e9m magicamente aparente de todas as coisas. Sem projetar e cristalizar uma exist\u00eancia inerente, real, nas coisas e pessoas, o drag\u00e3o dan\u00e7a e brinca em meio a interdepend\u00eancia de todas as manifesta\u00e7\u00f5es. Esta vis\u00e3o \u00e9 chamada em s\u00e2nscrito de prajna paramita, que literalmente, significa \u2018o excelente conhecer transcendental\u2019, um discernimento preciso, profundo e amplo, de onde surge a natural presen\u00e7a, poder e confian\u00e7a do drag\u00e3o.<\/p>\n<p>No budismo tibetano, entre os cinco elementos \u2013 espa\u00e7o, ar, fogo, \u00e1gua e terra \u2013 , o drag\u00e3o representa o elemento espa\u00e7o. Portanto, da mesma forma que o espa\u00e7o n\u00e3o pode ser concebido ou investigado como um objeto, a mente do drag\u00e3o \u00e9 insond\u00e1vel. Sua natureza vai al\u00e9m dos limites de espa\u00e7o geogr\u00e1fico, tempo, nome e forma. Nossa mente \u00e9 da natureza do drag\u00e3o. Tal como o seu h\u00e1lito quente, nossa ess\u00eancia esta impregnada desta verdade, esta constantente se expressando e nos revelando quem realmente somos.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o tibetana encontramos uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre cobras, serpentes, crocodilos, drag\u00f5es, caranguejos, sapos e outros r\u00e9pteis. Estes animais ainda que n\u00e3o sejam necessariamente o que a tradi\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica chama de n\u0101gas, podem vir a ser considerados diferentes classes de n\u0101gas dependendo de suas character\u00edsticas psico-energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p>No budismo tibetano n\u0101gas s\u00e3o geralmente tomados como seres hostis que, ainda que possam se tornar protetores de mestres e ensinamentos como tamb\u00e9m guardadores de tesoursos do Dharma, s\u00e3o seres que geralmente residem sob as \u00e1guas e em seus arredores, e causam doen\u00e7as e infort\u00fanios, principalmente quando amea\u00e7ados ou prejudicados por influ\u00eancias humanas. Em contrapartida, os drag\u00f5es no budismo tibetano s\u00e3o s\u00edmbolos de energia positiva, auspiciosidade, ilumina\u00e7\u00e3o e de poder espiritual.<\/p>\n<p>Portanto, encontramos essa rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima entre os drag\u00f5es e os n\u0101gas onde muitas vezes o drag\u00e3o \u00e9 considerado uma classe de n\u0101ga ou o n\u0101ga como uma forma de drag\u00e3o, aparecendo frequentemente em diversos s\u00edmbolos do budismo tibetano.<\/p>\n<p>No Tibete h\u00e1 templos dedicados especificamente aos n\u0101gas. Nestes templos, encontramos diversos tipos de r\u00e9pteis considerados como sendo classes de n\u0101gas, incluindo drag\u00f5es.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o tibetana, o estandarte do drag\u00e3o de turquesa significa o som da compaix\u00e3o que nos desperta da ilus\u00e3o e aumenta aquilo que podemos conhecer por meio da audi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de seu completo poder de comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 dito nos proteger contra todos os tipos de disc\u00f3rdia, principalmente contra a cal\u00fania, fofocas e o uso indevido da fala.<\/p>\n<p>Os drag\u00f5es n\u0101gas muitas vezes, aparecem em instrumentos musicais tibetanos, usados como oferenda de som na tradi\u00e7\u00e3o budista como tamb\u00e9m em amuletos de prote\u00e7\u00e3o. S\u00e3o frequentemente encontrados na arquitetura himalaica em pilares, nos beirais do telhado de templos budistas, na base de monumentos e pontes com a fun\u00e7\u00e3o de proteger contra inc\u00eandios e terremotos. A imagem de sua face (skt. mukha) \u00e9 geralmente usada como um s\u00edmbolo protetor. Por exemplo, dois pontos simbolizando olhos ou um desenho sinuoso usado para enquadrar os cantos dos f\u00f3lios das escrituras budistas em l\u00edngua tibetana t\u00eam suas origens nestes protetores drag\u00f5es n\u0101gas.<\/p>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o tibetana, drag\u00f5es s\u00e3o considerados capazes de mudar de tamanho. De acordo com alguns lamas tibetanos, os drag\u00f5es n\u0101gas, quando pequenos, podem causar pequenas goteiras tais como \u00e1gua pingando em beirais de telhados ou umidade em tetos e paredes. Em algumas ocasi\u00f5es tais como em transmiss\u00f5es e ensinamentos do Dharma, o surgimento inesperado de vazamentos de \u00e1gua s\u00e3o tomados como a aprova\u00e7\u00e3o destes drag\u00f5es n\u0101gas e, consequentemente, considerados como um sinal auspicioso.<\/p>\n<p>Entretanto, o drag\u00e3o \u00e9 mais comumente conhecido na tradi\u00e7\u00e3o tibetana como um dos quatro animais das c\u00e9lebres bandeiras de ora\u00e7\u00e3o chamadas \u201cCavalo de Vento\u201d(do tibetano Lungta). O cavalo de vento possibilita variados n\u00edveis de interpreta\u00e7\u00e3o: a partir de uma percep\u00e7\u00e3o externa, \u00e9 uma ou figura tibetana m\u00edtica. A partir de uma percep\u00e7\u00e3o interna, representa energia vital ou energia positiva, sendo considerado um s\u00edmbolo de boa sorte. A partir de uma percep\u00e7\u00e3o secreta, representa, entre os cinco elementos da natureza, o elemento espa\u00e7o. De uma percep\u00e7\u00e3o ainda mais secreta, representa o elemento ar interno ou a energia que corre dentro de nosso corpo como tamb\u00e9m, os v\u00e1rios aspectos do caminho budista.<\/p>\n<p>Os quatro animais \u2013 drag\u00e3o, tigre, garuda e o le\u00e3o da neve -, nos cantos da bandeira, simbolizam as \u201cQuatro Dignidades\u201d, qualidades espirituais que os Bodhisatvas (ou Guerreiros\/Her\u00f3is Espirituais) desenvolvem no caminho \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m os quatro tipos de confian\u00e7a dos grandes monarcas universais.<\/p>\n<p>Nos ensinamentos de Shambala, onde estas quatro dignidades s\u00e3o extensamente explicadas, o drag\u00e3o carrega consigo as qualidades din\u00e2micas da natureza como tamb\u00e9m a mudan\u00e7a do tempo e esta\u00e7\u00f5es do ano. Identifica-se com a mente al\u00e9m do ego, transcendendo nossas fixa\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es do mundo como o concebemos.<\/p>\n<p>Em seu Terma de Shambala, um dos grandes representantes atuais da tradi\u00e7\u00e3o dos y\u00f4guis de louca sabedoria presente at\u00e9 hoje, Vidyadhara Chogyam Trungpa Rinpoche, nos explica que o drag\u00e3o simboliza o \u2018estado de inescrutabilidade\u2019. Este estado surge na base da realiza\u00e7\u00e3o do n\u00e3o-eu. A partir desta profunda experi\u00eancia, verdadeiro destemor \u00e9 alcan\u00e7ado. Devido a n\u00e3o haver mais medo, d\u00favida e esperan\u00e7a, surgem naturalmente bondade, gentileza, simpatia e bom humor, al\u00e9m de qualquer compromisso ou expectativas. Tornamo-nos genu\u00ednos, corporifica\u00e7\u00f5es da verdade. A artificialidade d\u00e1 lugar \u00e0 verdade, honestidade, naturalidade e espontaneidade. N\u00e3o h\u00e1 mais a necessidade de \u2018falar a verdade\u2019, no sentido da minha verdade e da sua verdade, pois transformamos a n\u00f3s mesmos nessa verdade, tornamo-nos exemplos vivos disto. A verdade n\u00e3o \u00e9 limitada \u00e0 vis\u00e3o de algu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 propriedade de ningu\u00e9m. Simplesmente, \u00e9 o que \u00e9. Ser a presen\u00e7a viva da verdade \u00e9 mais importante do que a verdade em si pr\u00f3pria. Surgem energia e poder inabal\u00e1veis. Confian\u00e7a incondicional toma nascimento atrav\u00e9s das qualidades de uma dignidade natural, de uma firmeza leve e relaxada, aberta e destemida, desperta e inteligente.<\/p>\n<p>S.S. Gyalwang Drukpa nos ensina que pertencemos \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o profunda dos grandes y\u00f4guis de \u2018Louca Sabedoria\u2019 (do tibetano y\u00eashe ch\u00f4l ua, literalmente sabedoria selvagem), representados atrav\u00e9s dos antigos mestres da Linhagem Drukpa \u2013 Drukpa Kunley, Tsangnyong Heruka e Unyon Kunga Zangpo. Entretanto, por louca sabedoria, diz Sua Santidade, \u201cn\u00e3o se entende fazer o que der na telha, mas sim a express\u00e3o natural e espont\u00e2nea provinda de um verdadeiro e completo destemor. A maioria de voc\u00eas foi espiritualmente batizado com o \u2018sobrenome\u2019 Jigme, ou seja, destemor. O destemor \u00e9 a ess\u00eancia dos y\u00f4guis drag\u00f5es e o principal fruto natural da pr\u00e1tica dos mestres de louca sabedoria. N\u00f3s somos detentores desta tradi\u00e7\u00e3o dos grandes y\u00f4guis de louca sabedoria. Entretanto, para que possamos verdadeiramente preservar esta tradi\u00e7\u00e3o viva, precisamos realizar o verdadeiro destemor.\u201d<\/p>\n<p>Escrito aos arredores da grande estupa sagrada de Djarung Khashor como auto-estudo e contempla\u00e7\u00e3o e para o benef\u00edcio daqueles que como eu aspiram um dia, tornarem-se verdadeiros y\u00f4guis drag\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2013 Lama Jigme Lhawang<br \/>\nBoudhanath, Kathmandu, Nepal.<br \/>\n1o. m\u00eas do ano de 2013.<\/p>\n[products_slider title=&#8221;&#8221; per_page=&#8221;12&#8243; featured=&#8221;no&#8221; latest=&#8221;no&#8221; best_sellers=&#8221;no&#8221; on_sale=&#8221;no&#8221; orderby=&#8221;menu_order&#8221; order=&#8221;desc&#8221; layout=&#8221;default&#8221; category=&#8221;decoracao, &#8221; ]\n<div id=\"abt-bibliography\" class=\"abt-bibliography noselect mceNonEditable\" data-reflist=\"[&quot;134064371&quot;]\">\n<div id=\"abt-bibliography__container\" class=\"abt-bibliography__container\">\n<div id=\"134064371\">\n<div class=\"csl-entry flush\">\n<div class=\"csl-left-margin\">1.<\/div>\n<div class=\"csl-right-inline\">Lama Jigme Lhawang.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1Artigo | Os drag\u00f5es do despertar By Drukpa Brasil Published on 9 de mar\u00e7o de 2016. \u201cOs Drag\u00f5es legend\u00e1rios s\u00e3o estranhamente semelhantes a criaturas reais que viveram no passado. 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